sexta-feira, 5 de junho de 2009

ME BASTA

Me basta....
Uma caneta pontiaguda feito espinho

sobre o domínio do meu próprio punho

para ferir com destreza a face do papel

imóvel e pálida diante da minha fúria

Me basta...
As reticências como discursos inflamados

em nome daqueles que nunca tiveram

o prazer indescritível de ter uma caneta

e um papel como objetos de obsessão

Me basta...
Escrever torto, sobre retas, frases flechas

cravando forte e fundo o coração do leitor

arrancando-lhe, sem dor, o último suspiro

prenunciando o agonizante ponto final.

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